MAIAKOVSKI ABERTO A MACHADO

por Marcus Fabiano

 

cerebro

psicografado pelo espírito de
Helena Petrovna Blavatskaya

  

O CÉREBRO DE MAIAKOVSI

 abrir um crânio a machado
para roubar o seu cérebro?
camaradas, eu confesso:
naquela hora derradeira
nem me passou pela cabeça
o futuro de meu encéfalo

mas se enfim eu soubesse
que mesmo depois de morto
algum capacho de Stálin
já iria fatiar-me ou expor-me
eu teria com toda a certeza
optado pelo velho calibre 12
(bem ali, direto na cabeça)

afinal o cérebro de um poeta
não é matéria para compota:
no grande vidro de formol
dura mais em verso a aposta
de que 1 quilo e 700 gramas
de pura proteína em brasa
tendo em seus dias brilhado
viverá em ponto de bala.

* * *

Maiavoski suicidou-se em Moscou no dia 14 de abril de 1930 com um tiro no coração. Poucos momentos depois, no quarto do apartamento dos Brik onde ele jazia, apareceu um médico, acompanhado de soldados, que, sem cerimônia nem autorização, abriu por trás o crânio do poeta e levou o seu encéfalo em uma bacia. Destino: o Instituto do Cérebro de Moscou. O novelista Yuri Olesha, que com outros amigos de Maiavoski encontrava-se na sala do apartamento em que se deu a tragédia, relatou que o som que de lá escutaram parecia madeira ou uma parede sendo derrubada a machado. Nas palavras do próprio Olesha em No Day without a Line: “When the evening after his death we had gathered on Gendrikov Lane in … the Briks’ apartment [where Mayakovsky had been living], we suddenly heard loud noises coming from Mayakovsky’s room–very loud noises, unceremoniously loud, as if somebody were chopping wood. It was the opening of Mayakovsky’s cranium to allow the removal of his brain. We listened in horror-struck silence. Then a man in a white gown and boots came out of the room–either an attendant or a medical assistant, but a stranger to us–and in his hands he held a basin covered with a white cloth raised in the middle almost like a pyramid, indeed, just as if that soldier in boots had been carrying a paschal cream-cheese pudding. In the basin was Mayakovsky’s brain.” (tradução de Judson Rosengrant).
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