ARAME FALADO

MARCUS FABIANO GONÇALVES

Mês: fevereiro, 2017

MEMÓRIA DA POESIA NEGRA

EM BUSCA DO MALUNGO

 

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Waldemar das Chagas foi um poeta pernambucano radicado no Rio de Janeiro, onde também esteve ativo como fotógrafo, jornalista e artista plástico na década de 1950. Sabe-se pouco a seu respeito. E menos ainda de sua obra.  Cheguei até seu nome pela referência do jornalista Luís Carlos Azedo em uma publicação no seu blog, na qual o mencionava entre os seguintes artistas e militantes do movimento negro: Solano dos Reis, Heitor dos Prazeres, Abdias do Nascimento, Carlos Moura e Geraldo Rodrigues dos Santos.

Procurei imediatamente o pesquisador André Capilé que, como eu, não o conhecia e nem tinha notícias de sua inclusão em estudos acadêmicos de poesia negra. Voltei a conversar com Azedo, que me disse suspeitar da publicação de um livro de Waldemar e de alguns poemas avulsos dele na Imprensa popular, órgão diário do Partido Comunista Brasileiro. Não deu outra: no acervo do jornal, encontrei diversos anúncios da obra Malungo, de Waldemar das Chagas, publicada em meados de 1954 pelo próprio autor, um militante da imprensa com acesso provavelmente facilitado aos serviços das oficinas gráficas.

Na Imprensa popular,  também localizei quatro poemas de Waldemar das Chagas, assim como duas críticas ao seu Malungo. Reproduzirei abaixo dois poemas dele: um sobre o dadaísta e surrealista francês Paul Éluard, morto em 1952, e outro sobre o casal de judeus Julius e Ethel Rosenberg, executados nos EUA em 1953 como espiões responsabilizados pelo repasse aos soviéticos dos segredos militares da bomba nuclear. O Canto para Julius e Ethel, de Waldemar, foi publicado em uma página onde constam “apenas”o poema A África está se libertando, de Francisco Solano, a carta de um dirigente socialista argentino a Graciliano Ramos e um texto de Sílvio Romero sobre Frei Caneca.

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Demonstrando grande comprometimento com o campo internacional dos autores e intelectuais de esquerda, Waldemar das Chagas comparece às homenagens dos brasileiros aos 50 anos dos poetas Nicolás Guillén e Pablo Neruda, figurando ao lado de nomes como Astrojildo Pereira, Cândido Portinari, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Oscar Niemeyer. Contudo, a primeira das críticas ao Malungo (transcrita abaixo) é bastante severa, recriminando Waldemar por citar, em epígrafe, alguns versos do “reacionário Carlos Drummond de Andrade”. Tal crítica era veiculada no ano de 1954, quase dez anos após Luís Carlos Prestes ter convencido o Drummond de A Rosa do Povo a tornar-se editor da Imprensa popular, em uma desastrosa experiência que duraria poucos meses. Essa primeira crítica ao Malungo, não assinada, acaba assim prestando-se a endereçar uma forte reprovação ao Drummond de O fazendeiro do ar, dono então de posições anti-soviéticas e sempre cioso por equilibrar sua reputação com liberais e católicos.

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Na segunda crítica ao Malungo, da lavra de Dalcídio Jurandir, há um tom bem mais positivo e laudatório na análise da obra. Chamo atenção, entretanto, para o possível exagero na apreciação dos versos de Waldemar a respeito da sua própria condição negra. Mesmo sem conhecer a integralidade de sua obra, a pecha de autocomiseração, insinuada pelo crítico, parece-me bastante injusta, sobretudo se avaliada pelos próprios versos transcritos.

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Hoje, na Revista Modo de Usar & Co., Ricardo Domeneck destacou o relevante trabalho do poeta e compositor carioca Nei Lopes. Ao compartilhar essa postagem, ressaltei a urgência em se somar iniciativas de investigação, crítica e divulgação para uma mais completa genealogia dos artistas negros brasileiros, dirigida tanto à recuperação da memória como ao enriquecimento geral de nosso cânone. A postagem logo despertou o interesse do pesquisador Samuel Delgado Pinheiro, que gentilmente ajudou-me com valiosas informações sobre a atuação de Waldemar, junto com Abelardo da Horta e Hélio Feijó, na Sociedade de Arte Moderna de Recife, na década de 1940. Estamos agora reunindo esforços para a tentativa de localização de um exemplar do livro de Waldemar das Chagas,  pois tudo indica que o seu volume não está catalogado no acervo da Biblioteca Nacional. Agradecemos, portanto,  a quem puder mobilizar os seus contatos  com a rede de amigos, parentes e militantes do poeta a fim de prestar esse grande serviço a leitores, pesquisadores e curiosos da cultura brasileira em geral: a recuperação do Malungo.

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O CANTO DA SELETIVIDADE

 

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LITANIA DO SICOFANTA

 

PROCURADOS DO DISQUE DENÚNCIA

Anal, Leite Ninho, Pão Com Ovo, Leo Empada, Scooby Doo, Pitbull, Schumaker, Lacosta, Sandra Sapatão, Conha, Chulé, Piolho, Marreta, Aline Popozuda, Bacalhau, Sombra, Facão, Nêgo da Mangueira, Playboy da Laura, Juninho Cagão, Juca Tigre, Robocop, Conan, Negão do Macaco, Mocotó, Moranguinho, Boca Murcha, Veludo, Tartaruga, Chupeta, Charmosão, Semente, Descontrolado, Da Mamãe, Chacota, Bunda Azul, Branco da Pedreira, Brizola, Tia Ritinha, Mudinho, Meleca, Mão de Seda, Débito, Marquinhos Soca Nela, Orelha de Vaca, Lex Lutor, Lorão, Dançarino, Mil Gol, Furinho, Canário, Raro, Crânio, Luiz Cicatriz, Arafat, Cara de Cavalo.

TIPOS E FIGURAS

matutos, pedófilos, consumo e tráfico de drogas, homicídio, sequestro, estupro, atentado violento ao pudor, milícia, roubo, assalto à mão armada, porte ilegal de armas, estelionato, latrocínio, capturados, tortura, extorsão, saidinha de banco, lesão corporal, formação de bando, evadido do sistema penitenciário, furto qualificado – artigo 155, procurados de outros estados. Recompensas de 1 a 5 mil reais. Anonimato garantido.

CITADOS NAS DELAÇÕES PREMIADAS

Caju (Romero Jucá), Missa (José Carlos Aleluia), Gripado (Agripino Maia), Botafogo (Rodrigo Maia), Gremista (Marco Maia), Justiça ou Atleta (Renan Calheiros), Primo ou Quadrilha (Eliseu Padilha), Primo 2 (Alberto Yousseff), Bob (José Dirceu), Angorá (Moreira Franco), Cerrado ou Piqui (Ciro Nogueira), Campari (Gim Argello), Ferrari (Delcídio do Amaral), Passivo ou Pólo (Jaques Wagner), Babel (Geddel Vieira Lima), Caranguejo (Eduardo Cunha), Corredor (Duarte Nogueira), Misericórdia (Antônio Brito), Tuca (Arthur Maia), Boca Mole (Heráclito Fortes), Italiano (Antônio Palocci), Esfiha (Samir Assad), Todo Feio (Inaldo Leitão), Amigo do Lula (José Carlos Bumlai), My Way (Renato Duque), Sabrina (Pedro Barusco), Bolinha (Anthony Garotinho), Mochila (João Vaccari Neto), PR (Paulo Roberto Costa), Lindinho (Nestor Cerveró), Leitoso (Eduardo Hermenelino Leite), Bebê Johnson (Luiz Argolo), Véio (Rafael Ângulo Lopes), Velhinho (Francisco Dornelles), Marechal (João Carlos Ferraz), Mercedão (João Claudio Genu), Batman (Júlio Faerma), Angelina Jolie ou Greta Garbo (Nelma Kodama), Ovo (Raimundo Colombo), Reitor (Cristóvam Buarque), Múmia (Randolfi Rodrigues), Ela (Vanessa Grazziotin), Drácula (Humberto Costa), Comuna (Daniel Almeida), Bruto (Raul Jungman), Nervosinho (Eduardo Paes), Grego (Jorge Picciani), Escritor (José Sarney), Próximus ou Vascaíno (Sérgio Cabral), Viagra (Jarbas Vasconcellos), Manso (Teotônio Vilella), Índio (Eunício Oliveira), Bitelo (Lúcio Vieira Lima), Las Vegas (Anderson Dornelles), Feia (Lídice da Mata), Diplomata (Hugo Napoleão), Careca (José Serra), Jovem (Adolfo Vianna), Moleza (Jutahy Magalhães), Amigo do PT (Eike Batista), Goleiro (Paulo Magalhães Júnior), Brahma ou Amigo (Lula), Kafta (Gilberto Kassab), Lindinho (Lindbergh Faria), Avião (Manuela D’ávila), Candomblé (Edivaldo Brito), Colorido (Fábio Branco), Zoológico (João Leão), Cacique (Étore Labanca), Eva (Adão Villa Verde), Feira (João Santana), Mineirinho (Aécio Neves). Sem alcunhas: Edison Lobão, Kátia Abreu, Paulo Skaf, Romário, Rui Costa, Michel Temer.

TIPOS E FIGURAS

compra de votos, tráfico de influência, obstrução da justiça, fraudes eleitorais, processuais e previdenciárias, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes do colarinho branco, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, burla a licitações, desmatamento, abuso do poder econômico, prevaricação, uso indevido da imunidade parlamentar, formação de quadrilha (organização criminosa), tráfico de pessoas, trabalho escravo, grilagem de terras, caixa 2, ocultação de valores no exterior em contas de trusts e offshores, falsidade ideológica, tráfico internacional de drogas.

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